Os esqueletos do Armário

Era uma vez um esqueleto muito arteiro, chamado Jay que vivia dentro do armário, junto com várias outros.

Jay era festivo, gostava de ameaçar sair e assustar as crianças, voltava para seu cantinho do armário e ria por horas seguidas, com seu sorriso tão claro quanto a lua cheia.

Um dia Jay ouviu uma conversa fora do armário, e uma movimentação bem fora do normal. Um cheiro diferente, uma luz, e um entra e sai constante, muitas, muitas vozes, horas cheias de ternura, hora cheias de veneno. Mas sempre existentes!

Jay saiu do armário, pela primeira vez por completo, olhou ao redor e deu de cara com um berço, ainda sem decoração ou brinquedo, sem laço ou fita.

Ele achou confortável e lá ficou.

Entrou a mãe que logo gritou, se assustou e chorou, entrou o pai e fugiu tão rápido quanto um raio, entrou a avó, pé ante pé, mas também não conseguiu encarar os olhos de Jay, com seu negro olhar que parecia engolir o mundo, toda cor, todo riso, todo sonho.

Te tanto se fazer presente, Jay se tornou comum, de tão comum passou a ser chamado pelo nome e a cada dia ele ganhava um pedacinho de carne… logo estava de volta, com seu corpo de vivente, já não mais assustador ou ameaçador. Ficar alí já não tinha mais graça… ele resolveu então ir embora, sem ninguém perceber, assim como tinha chego.

Jay era um dos meus esqueletos, dos vários que eu tenho colecionado, eu ainda acho que as vezes ele me assombra, talvez para sair da monotonia, talvez apenas por saudades.

Agora tenho um “anjo da guarda de fraldas” rs ou Doula, e uma das coisas que ela disse e eu já havia notado é a existência de Jay e seus amigos, mas ela me adiantou que normalmente eles sairiam todos em debandada no momento do parto!

Estou achando incrível conseguir lidar com eles antes, meu parto quero que seja meu e de Annie, não temos lugar para esqueletos bobos!

9 meses, é o tempo que temos, eu e ela para desconstruir todo o medo, tudo o que era supérfluo, as falsas amizades, os falsos amores, para podermos estar preparadas uma para a outra. Confesso que pingar limão nos olhos é muito menos doloroso, rs, mas a leveza, serenidade e paz que sinto a cada desconstrução finalizada só não é maior que minha barriga.

Para todo o fim, um recomeço! Agora 100% sob o controle do meu parto, que quero que seja o mais humanizado e natural possível, bem bixinho mesmo, me vejo preparando o ninho pra cuidar da minha pequena.

Com a Doula me deparei com um mundo lindo, sem o frio de hospitais, agulhas ou aquela cadeia de produção de crianças (entrou cortou, saiu, fechou, saiu a maca, entrou cortou saiu, fechou, saiu a maca).

Logo conto sobre meu anjo de fraldas e sobre as pessoas lindas que vão nos ajudar nessa coisa mágica doida, chamada PARTO!

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Sobre SaBarth

Apaixonada, por publicidade, pessoas, viagens, desenhos animados e músicas antigas! Não necessariamente nessa ordem.
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